Ilustração. Cu sem tabu - Desenho de uma dilda e um emoji amarelo com o bumbum pra frente dizendo Bota logo. O fundo é lilás e tem desenhos de rosquinhas e de pêssegos

Sexo anal: cu sem tabu

Sim, minha gente, este é um manifesto a favor do cu. “A única coisa que nos une… é a utopia do cu”, já dizia a Polka do Cu. Vocês já pararam para pensar por que há tanto tabu quando se fala de cu? Por que sexo anal é visto como “coisa de bicha” ou como fetiche machista? Se todas as pessoas têm cu e se ele é, sim, um órgão capaz de dar muito prazer, por que não desmistificar o assunto? 

A pantynova e a Nohs Somos se uniram para uma conversa aberta e direta. Afinal, cu é para todes!


* Mas antes de continuar, vale lembrar que nem todo mundo curte brincar com o bumbum e tudo bem. Não há nada errado em não gostar! O importante é se permitir, conhecer seu corpo, saber o que dá prazer. E, claro, em uma relação a 2, é fundamental respeitar o corpo e os desejos da outra pessoa. Falar de sexo é falar, também, de consentimento, né, more!? 

Era uma vez… um tempo em que homens faziam sexo anal sem tabu

Nas Ilhas Trobriand, em Papua Nova Guiné, foram encontradas pinturas e esculturas de mais de 4 mil anos que mostram sexo anal entre homens e mulheres e entre dois homens. Alguns antropólogos explicam que esse povo já praticava sexo anal por puro prazer e porque já sabiam que era uma forma de ter prazer sem se reproduzir. 

Nossos vizinhos Moches, do Peru, registraram a prática anal em cerâmicas do ano 100 d.C. Os gregos e os romanos também não tinham o menor pudor com relação ao sexo anal.

Mas este não é um artigo da National Geographic! Trouxemos esses dados só para mostrar que liberar o toim é muito mais antigo do que se imagina. E é natural também, já que a prática é comum em outras espécies, como chimpanzés e golfinhos.

A heteronormatividade e o elo proibido

Se tudo era tão mais livre, por que o cu se tornou o elo proibido?

Aí, amigues, para responder a essa pergunta a gente vai ter que falar de capitalismo, de senso de propriedade, de religião e de todos os pilares que sustentam as sociedades machistas, patriarcais e heteronormativas, que a gente conhece bem e que tanto lutamos para derrubar.

A noção de que sexo anal é pecado porque não é feito com fins reprodutivos é invenção dos homens (nenhum livro sagrado proíbe essa prática explicitamente). A ideia de que é errado se liga diretamente à fetichização dos corpos das mulheres, principalmente das trans, e pode levar à violência psicológica – muitos homens usam o sexo anal como moeda de troca em relacionamentos – e até mesmo física.

Essa noção de que dar o cu é algo difícil ou até proibido é reforçada em livros e filmes que mostram, muitas vezes, a mulher resistindo e o homem insistindo na prática, o que fortalece o machismo e a misoginia.

Nem prêmio, nem proibido: Cu é natural!

Cu é órgão sexual, sim!

Assim como a pepeka e a piroka, o cool é um órgão sexual, afinal, é usado para fazer sexo. Parece meio óbvio, né!? Mas pelo fato de não ser um órgão do “aparelho reprodutor”, como aprendemos nas aulas de biologia, ele acaba deixado em segundo plano.

Por ser altamente vascularizado, o cu é capaz de dar muito prazer até para pessoas que não têm próstata (a próstata é considerada o equivalente do ponto G). Com lubrificação, relaxamento e os estímulos certos, é possível, sim, chegar lá com penetração anal.

Mas a gente também quer romper com a ideia de que prazer e sexo giram em torno da penetração, então vale explorar a região com a boca, com a língua, externamente, com os dedos ou um vibrador bullet… e o que mais a imaginação mandar.

Homem que sente prazer anal é gay ou bi?

Não. Inclusive, há gays que não gostam de dar o toim. Não são somente as práticas sexuais que “definem” a orientação sexual de alguém. Esse é, também, um pensamento machista, que leva à distinção de gays entre “ativos” / masculinos e “passivos”, vistos como mais afeminados, que tendem a sofrer mais preconceito.

Gostar de ser penetrade e sentir prazer com sexo anal é tão natural  quanto a luz do dia, que é necessário acabar de vez com todos os conceitos machistas sobre o cool.

Aliás, o pegging está, cada vez mais, sendo visto como uma prática comum entre casais heterossexuais, e não mais como uma fantasia sexual falada em voz baixa. (Mas nada impede que se peça pra ser penetrade sussurrando… huuuummm 🔥🔥🔥)

Pessoas com cu, uni-vos!

Seja qual for seu gênero e orientação sexual, é hora de romper com os tabus que permeiam as relações anais e tornar a utopia do cu algo real.

Este manifesto a favor do cu pretende acabar com o machismo, a homofobia e a fetichização do sexo anal e fortalecer a conversa aberta, o autoconhecimento, o respeito, o desejo e o prazer.